Sunday, November 10, 2019

Ansiedade

Remédios

Quero escrever sobre os remédios e tudo mais que sofrer com ansiedade aguda traz junto.
Não é fácil admitir depois de tanto tempo vivendo e de certa forma normalizando uma situação que há tempos devia ser olhada com mais atenção.
"Ser" (não que eu enxergue isso como algo que me define) ansioso, atrapalha muito e só quem passa por isso sabe do que estou falando. Nosso corpo nunca descansa, nossa cabeça trabalha a todo momento, nossa perna não para e se te dizem que tem algo para tratar com você, sua cabeça vai a todos os lugares, geralmente os mais pessimistas possíveis, até você de fato descobrir do que se trata o assunto.
Esse tipo de defeito, atrapalha a vida de uma maneira que é difícil até de explicar, faz mal para as amizades, termina os seus namoros, te prejudica no trabalho, te faz responder de forma inadequada, te faz perceber que você faz coisas das quais você mesmo entende que não tem a ver com a sua própria essência.
Quando a ansiedade te aperta te faz responder de maneira impulsiva, algo que poderia ser resolvido com um simples pedido de desculpas ou uma respiração mais profunda. Já me disseram que bastam 6 segundos para que uma resposta adequada seja formulada, dita ou simplesmente a situação seja posta de lado.
A verdade, é que sinto que as vezes chegar no terceiro segundo dessa contagem ja é um esforço imenso para mim.
Tem dias e épocas que me sinto mais fortalecido, talvez esses sejam os momentos mais perigosos, pois geralmente sao aqueles que estou mais desatento e derrapo em uma resposta atravessada, falo um pouco mais alto, ou sofro antecipadamente por algo. Dói muito sabe?
A verdade é que se pudesse escolher, pediria para ter outro defeito, esse me deixa muito triste e me machuca de uma forma muito dolorida.
Quetiapina, Escilex, Proponalol, Rivotril... cada nome, cada efeito, cada efeito colateral, isso tudo é coisa a se viver por um certo tempo, depois, é algo que tem só de servir como lembrança de um tempo de transformação...

Para melhor, oxalá.


Vou escrever mais sobre isso daqui para a frente, vai me fazer bem.

Beijo na testa

Monday, November 04, 2019

Cru

Escrever um conto ou qualquer outro texto aqui não é algo simples.
Geralmente é algo que me dói, que sinto que preciso expor, para que alivie um pouco a ebulição de coisas que sinto em minha alma.
Geralmente são poemas, as vezes são contos. Nunca sou eu na primeira pessoa, é sempre algo que fala indiretamente comigo mesmo, que deveria conversar com outra pessoa, que explica como se fosse um grito.
Hoje eu estou aqui, sentado na frente deste computador, no horário de intervalo do trabalho, é o 221º texto deste espaço, são 14 anos disso tudo aqui.

Olho em volta, estou cru, os passarinhos cantam um canto que não é da minha terra, os sotaques, embora já tenham me contaminado, não são legitimamente meus, as comidas, as casas os jeitos, o DDD, nada é meu e eu me olhando, também não sei quem sou.

Há 4 anos atrás eu fiz uma escolha, me perdi totalmente nela. Acreditei que podia lidar com a distância, que podia lidar sozinho com coisas que até então eu nem sabia o que eram.

Deixei os abraços mais importantes da minha vida de lado. Me violentei a ponto de não querer mais falar com as pessoas, de não estar perto de ninguém.

Eu estou tentando de tudo. Já emagreci, estou mais forte, me visto melhor, minha casa está mais organizada. Tento ser mais amigo, tento falar mais baixo, tento ser menos de tudo que eu sei que fui errado, eu não me sinto melhor, só me sinto mais e mais assombrado por cada momento que eu desperto, abro os olhos e sinto essa dor horrível me queimar.

Eu tenho medo de tudo que pensam, por que onde procurei só me dizem "depende só de você" e eu procuro rezar a cartilha, fazer tudo para me sentir bem, só que quando já estou bem cansado, e nada de me sentir melhor, me dizem "você não fez o suficiente!".

É, talvez eu não tenha feito, mas eu não sei o que é esse todo suficiente e necessário que deve ser feito, não sei como abrir meu peito e tirar essa angustia sem me entorpecer, sem ficar estirado semi inconsciente, sentindo prazer em me ver anestesiado, dormir sem pensar, por que quando penso, perco o sono.

Vamos fazendo de conta, vou sendo hipócrita, vamos produzindo, as tarefas estão sendo feitas e parece que é isso que importa, afinal, a escolha de estar aqui foi minha, o preço dela, óbvio eu tenho que pagar. É de se esperar que um dia eu dê risada disso, é de se esperar que um dia essa angustia passe. Que eu não pense mais no retorno do rolê em Paranapiacaba com nostalgia, que eu não pense no abraço na escadaria em agosto de 2015 com a saudade que não senti naquele momento. Isso me parece que se chama aprendizado, aprendizado do rasgo que os arames farpados do tempo produzem.

Sinceramente, eu já não quero mais estar aqui, e não estou falando do aqui, desta cadeira, dos passarinhos cantando ou das coisas que tenho para fazer. Eu falo daqui de dentro, de onde dói tanto, que minha saliva fica amarga, mais amarga do que tudo que eu fiz e fui (será que sou?) para chegar nesse momento.

Eu quero paz e liberdade, quero um suspiro de tchau e um entendimento nos meus olhos.


É só isso.

Monday, October 28, 2019

Ai como dói

Eu quero chorar
Me sinto tão arrependido
Nessa sala escura
E no meu jeito escurecido
Nessa poltrona nova
Calor, cadê?
Está esmaecido
Quero chorar
Por que eu me busco
Me olho, me visto
E em um buraco estou perdido
Cada luz que eu encontro
É outro beco enlouquecido
A minha alma grita
Contorce
Deixa meu corpo estremecido
Não tem esforço que valha
Para conter, tento
Estou rendido
Quero chorar
Me leva
Arranca tudo
Tá estragado
Está ferido





Rola pesado, hoje é dia 28/10/19.
É um aperto que não passa, que vem e não disfarça, que por mais que eu cubra é uma coisa muito da sem graça. Quando vai passar?

Thursday, July 18, 2019

Pra eles dois

"E não havia um só dia que ele não pensava naqueles dias, acordar já era o gatilho instantâneo para pensar nos passeios de braço dado pela rua, pelas conversas sobre fugir deste mundo, sobre como transformar esse mundo em um lugar melhor.
Também pensava nos beijos, dos primeiros, escondidos, truncados, roubados, achados, dos que vieram depois, apaixonados, assustados, afogados, encurralados na parede do metrô.

"Você é intenso..." Chegava no telefone dele... mensagens escritas na caderneta vermelha, comprada um tempo antes na galeria de arte, na mão dela. Era dolorido desde lá, desde aqueles dias que ao contrário  do que seria, parecia que tudo ia melhorar.

O que poderia ser diferente de qualquer outra história trivial de amor? Na verdade, não é, nunca foi, nem precisa ser diferente, histórias de amor, as de filme, as de verão, as de escada de emergência, as que não se vê por contingência, todas tem sua poesia, todas tem seu roteiro próprio, nada original. Por isso tem uma classificação e assim são: Histórias de Amor.

Mas nesses todos dias que acordar o lembravam daqueles outros, as perguntas e as tentativas de fazer as contas, de encaixotar cada informação em uma célula da planilha, de contabilizar, ficavam mais complexas, o que teria feito tudo adoecer tanto?

Se recordava do vestido azul, longo, alternativo voando em cima do cano da bicicleta, do almoço do mesmo dia, do pic-nic diferente no parque, coisas que não tinham acontecido daquele jeito, com aquele humor, com aquela bondade em nenhum lugar, até confundia um pouco a diferença de idade a preocupação "Você não vai avisar sua mãe?" "Não precisa não" ela dizia, e o susto cada vez mais aparecia.

A verdade é que embora as risadas, a mão por debaixo da mesa, a Norteña sobre ela e o carinho estivessem lá. Algo, talvez não deveria estar, embora tudo estivesse certo e no lugar, que os corações pudessem e tivessem de tudo para se encontrar, falta alguma coisa que faz nesse caso, a órbita se alinhar, uma pena ter que constatar que como em outras diversas vezes, lugares, pessoas e pares, faltava o momento certo para uma peça na outra, direitinho encaixar

"Lembra do Temaki que eu te paguei?" costumava pensar, na mordida bonitinha, naquele jeito de andar.
"Lembra das dublagens de filme infantil que faziamos?" talvez fosse algo que ela pudesse recordar, no pão de mel que ela comprou, da fuga assustada da escadaria depois de um abraço diferente, uma coisa de arrepiar.

Além disso, é claro, o sorriso no final da rampa ao encontrar de noite, o lanche quando ele recebeu uma mensagem "to com fome ahhahaha", não era uma obrigação, era parte de conquistar.

Mas lembrava de susto outra vez, a pergunta, essa que não queria calar: Onde estava a doença, que fez tudo aquilo, que era tão doce amargar, acabar?

"Sei lá... tá eu sei que não é só culpa minha, mas é só culpa minha que eu vejo hahahaha" a resposta contraditória, fazia voltas e voltas na memória, não deixava nada apagar. Era fácil entender, algumas histórias tem glória, outras nascem para terminar.

O fato é que em algum momento, outras coisas começaram a prejudicar, era um passado mal resolvido, uma morte, eram cartas, distâncias, nada que pudesse ajudar, tudo de confuso, difuso, é o famoso mal uso, daquilo que a gente gosta, mas não sabe (não tá preparado para) cuidar.

Ai a gente usa de um jeito que vai esbarrando nos cantos, isso, de pouco em pouco, começa a (muito) machucar, no comecinho sangra um pouco, depois, não dá para estancar.

Ai vem desculpa, culpa, desculpa, culpa, parece que não sai do lugar é uma corda que parece que estica, mas sem perceber ela começa a estourar. E como faz para sentir? Como faz para se escutar? Entender, e ai, (ele, ela, os dois, eles, aqueles lá, fulanos) conseguem de novo caminhar?

Parece que sim, mas é tanta dor para curar? Como falava a vó de um deles (não sei se dá para recordar) é uma dor fininha do no peito. Mas daí vem a pergunta: Dor (fina ou grossa) dá para assim classificar?

A cada dia que passa, talvez ela também vá perguntar, o medo que antes assusta, talvez possa aconchegar, justificar, parece um cópia do outro, só o tempo, dos atos para diferenciar. Será, que um dia dá para se encontrar?

Bom, o certo é que parece que não, que parece que o frio que escreve as ideias nas duas cabeças, ajuda algumas coisas a petrificar, congelar, ficar guardada debaixo de um monte de outras histórias, que devagarzinho, começam na vida a cair, a chover, irradiar, a nevar...

O contato com essa neve é bom, faz entender, que não é só o calor, a paixão, o frio também faz queimar.

E queima gelado, distante e incômodo, vira muito, vira a cabeça o estômago.

Queria, amiga, Querido, amigo. Tem gosto de chocolate, um bem gostoso, amargo e como aquele dia da mensagem do telefone, podia ser "Eu olho, eu leio, ela escreve, sente..."   - Você, na minha boca, como teu gosto, ainda é intenso."

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Pode ser de um monte de gente, a impessoalidade das histórias faz com que todo mundo sinta o que ninguém quer mais sentir.


Deixa pra lá, esse papo nunca funcionou

Tem letras que escorrem para aliviar.


Beijo na testa




Monday, July 08, 2019

Tapa o buraco

Tenta, TeNtA, tEnTa!
Esbarrabate
Na PontaounopedacinhO
TentaenãoenCAIxa
Precisa estar tudo cer-ti-nho
INSISTE até que que
bra
Deixa tu(do) em
p
   e
d
   a
c
   i
n
h
   o
Aí preciSacola
Pradeixartudojuntinho
E entender que só Em caixa
Seo quadrado
Combinar quo quadradinho

Sunday, June 30, 2019

Nem tente

Não me responda
Insensivelmente pare de me invadir
Entenda, não é mais
Eu preciso ir
Mil jeitos e palavras
Insisti te dizer
Na sua violência
Grossa, tosca
Insistiu você
Sem se amar, diz querer
É que eu não acredito
Mais gente diz também não
Somos prepotentes
Enxergo o teu coração
Insisto,  me acessar não permito
Comunicar, chegar perto
Não tem nada bonito
Vai embora já!
Para ti morri, não existo
Se eu te machuco?
Que importa!
O pressuposto é me amar
O que me diz, não traz volta
Só me fez te afastar
Rio, pois é piada
Quando tu dizes de amor
Só eu sei o que é isso
O que “c” faz? Assustador
Então te aconselho, sou sábia
Nas minhas frases feitas, tão originais
As condições em ti existem
Volta aos sentimentos normais
Falo que é inteligente
Extremamente capaz
Também recomendo médico
Tuas terapias banais
Não acredito em nada
Escrevo fria aqui
Tua chantagem, me esquiva
Não vem dizer “Eu senti”
Só eu que entendo de tudo
Tua razão: irracional
Ela e você me dão asco
Mantém distância!
Tchau
Por isso não me responda
Eu te insisto outra vez
Só eu que entendo, não força
Daqui é só o que vai ler
O seu caminho: A fossa
Não quero eu nem saber
Agora está registrado
Mais claro não há como ser
Eu disse, mas de verdade?
Não acho
Que você pode entender

Friday, June 28, 2019

Toda

Toda carta de amor é idiota
mostra que você perdeu a rota
Te faz ter contato
com algo que você acha que importa
Mas na hora que se vai
te mostra a derrota
Não adianta
É perdida esta aposta
Te deixa
Te encosta
Todo suspiro de amor
Toda lembrança de amor
Tudo
É um caminho sem volta


:(

Friday, May 31, 2019

Não é Meu

O que você dá
Ou distribui
É a única coisa
Que realmente conta
Você vai ficar?
Aqui, fique por aqui
E nós dois vamos começar
A fazer isso funcionar
Mas isso não é só isso
É tudo
Você é tão difícil de alcançar
E impossível de ler de verdade
Quando você está falando com duas línguas na sua boca
E eu desejo que você pare de resmungar
Sob sua respiração
Isso está me matando
Você não disse nada ainda
Quem está falando agora?
Bem, acho que estou começando a duvidar
Estamos perdidos aqui?
Você ainda está contando?
Você vai me deixar para baixo?
Bem, seu coração não está nele
Está em toda parte
É fácil de ver
Você ainda está pensando
O que está por baixo
Você está tão curiosa
São duas batidas e você está fora
E eu estou cansando dessa atitude
Como você cai aos pedaços
Assim como você faz
Eu não posso acreditar que você ainda está falando
Com duas línguas na sua boca
Depois de tudo que vivemos por aqui
Você pode me ouvir?
Você é a única coisa
Que realmente conta

Wednesday, May 22, 2019

Tempo

Na hora de acordar
Te penso
Eu quero
Te esperei antes,
Amanhã e agora?
Cada ideia que vai
Que me inverte
Enamora
Continua vai
Não deixa
Que o porvir seja outrora

:)



Monday, April 22, 2019

Soa feito

Eco...de
Bom dia
Eco...de
Te quero bem
Eco...de
Tenho saudade
Eco...de
Não faz assim
Eco...de
Machuca
Eco...de
Me explica
Eco...de
Boa noite
Eco...de
Bons Sonhos
Eco...de
Eco...de
Eco...de

Até que nao ecoe mais...


Beijo na testa
Ecos



Saturday, April 20, 2019

Mão

Pode doer
Mas você consegue dizer
Coisas boas
Para me fazer entender
Pode te deixar sem andar
Pode te fazer ficar um tempo sem pensar
Mas quando você volta
Você insiste em me lembrar
Que não dá
Por conta dos cavalos mágicos
Das Bestas e das Feras
De existir sem tentar


Obrigado :)


Beijo na testa

Friday, April 12, 2019

Escuro (Confuso)

É um chão cheio de roupas e fios
É uma mesa toda desordenada
É um lençol que não se troca
Um travesseiro amarrotado
Cartelas de remédios (quantos!)

Um ..... despedaçado

Thursday, April 11, 2019

Naquele canto

Sexta Feira se come feijoada por aqui. É curioso como certos costumes soam estranhos quando o sangue nativo não passa na tua veia, mas fomos lá comer a feijoada. Paredes lindas, cadeiras aconchegantes, preço justo pelo bom sabor do prato.

Vem uma coca-cola, e com ela, o olhar para o lado. Delgada, cabelos que escorriam pelas bochechas brancas, passavam por detrás da orelha, alguns repousavam nos ombros delicados e apontavam para o chão.
Aquela expressão triste, por que cada vez que o garfo tocava o prato, parecia que alguma lembrança tocava a sua alma, lembranças? O que doía tanto? Observando, dava vontade de levantar, abraça-la e dizer "vai passar", qual era a preocupação que alterava aquela ordem, de uma comida tão alegre, regada com musica carioca, circundada por mesas de pessoas conversando, um pai pegava a mão de sua filha já adulta, dividiam uma cerveja. Que dor era aquela que a jogava para aquela mesinha de canto, naquela diagonal tão certa para minha sensação de dizer para ela que o susto já tinha passado, que daqui a pouco o machucado também ia parar de doer e que logo era apenas uma lembrança, aquele aviso que vem na memória, de como não fazer.
Mas as lágrimas se afogavam dentro daqueles olhos escuros, sem fazer conta se alguém notava algo, não parecia mesmo que alguém mais estava registrando aqueles movimentos, tão doces, tão doloridos, que vontade de te abraçar pequena.

Depois de um tempo você se levantou, se esquivou de um dos meus colegas que tinha ido ao banheiro, pagou a conta, saiu.

Deixou a dor naquela cadeira, e eu sinto. Como dói.


Beijo na Testa

Sunday, May 21, 2017

Lente da Sensibilidade

Já não tenho as mesmas ideias
De descobrir o convencional
De te olhar romanceando o pingo d´água
Ou a cor do "sinaleiro"
Mudei de casa
De lugar
Mudei um pouco do dinheiro
Mudança, change, cambiar
Quanta palavra para deixar
Olhar as trilhas
Sonoras e de lugar
Mas e o escuro e o escrever,
É o que?
Fotografia ou leito de rio?

Beijo na testa

Wednesday, September 23, 2015

Vai

Vai em frente
Por que você sente saudade
E se sente é por que já está feito
Já passou
Vai em frente
Por que de tantas e tantas coisas que te faltam
Falta a coisa de ir além
E ela...
É a coisa mais próxima e simples
É a unica saudade
Que dá pra não sentir mais.


Beijo na testa

Wednesday, September 02, 2015

Sabão

Tomava banho de porta aberta. Claro, precisava de cuidado, pequeno sem saber de nada do que se passava ou do que viria passar, brincava, era assim... assistia um desenho, almoçava e depois isso mesmo, ia pro banho de porta aberta.

Brincava na pia azul, um dia, Ela chegou entreabriu a porta e ele sorrindo disse: "Vou ser limpador de pia, esse vai ser meu trabalho, quer me contratar?"

Limpador de pia... inocente limpador de pia. Os cabelos que caiam no olho, machucavam, davam tersol. Mas o legal era a ideia, "limpador de pia..."

Brincava com as cadeiras, deitava elas, entrava entre duas elas, colocava o capacete da bicicleta, virava piloto, adorava a ideia de ser piloto, já não era tão inocente... "limpador de pia..."

Mas era legal, Ela estava o tempo todo lá junto, olhava chamava e avisava, "ta" na hora!, "ta na hora!" e acabava aquele riso de pensar o futuro, afinal era seguro.

A cada hora tinha um sonho diferente, engraçado como ele entre as cadeiras deitadas, foi em direção de tantas outras coisas, percebeu-se cheio de tantas outras vontades, quis ser esportista, jogador, fez teste para goleiro, jogou, vendeu, atendeu, telefonou, fez conta, fabricou, ensinou, gostou, desgostou, construiu, bom em algum momento: Se encontrou.

E na distancia do sonhar que é tão real que se enxerga perfeitamente dentro dos pensamentos e do concreto que é tão próximo que de tão próximo fica invisivel, ele  (que parece que já está um pouquinho mais velho) só queria estar contando para Ela (que nem está mais por essas bandas...) "Sabe o menino do Campo de Centeio... então... eu só queria estar mais ou menos como ele... só que bem... eu só queria ser um Limpador de Pias..."


Pois é...



Beijo na testa.

31... que f....

Thursday, February 05, 2015

Retorno

Fotografias preto e branco
Eu via e não queria mais
Eu não queria mais o amargo
Da resposta sem pensar
Impregnada
Doída
Chorada
Eu não queria mais o ímpeto
De não ouvir, escutar
Não queria te afastar
Não queria mais o amargo
De ser e só me largar
Impregnado
Doido
Chorando



Monday, November 24, 2014

Concreto

A pedra do meio do caminho
A mesa, o banquinho
A margem
Tudo, até se não ver
No escuro do escurinho
Se esbarra, encosta
É concreto
Até o vazio
No coração do menininho


Beijo na testa

Monday, June 30, 2014

Cansa

Ninguém sabe
Ninguém vê
Somente eu
Nunca imaginei
Rastejando e me sentindo nas profundezas
Não parece que importam-se
Mas é para você
É para mim
Nem um outro além de nós

Sunday, October 13, 2013

Rindo igual criança.


E daqui uns instantes ele irá pular nessas ondas
Rir como criança
E sentir algo que a Natureza traz como ninguém faz...


Paz de Espírito.



Beijo na testa.